Sócia e confeiteira da PikurruchA’S analisa critérios como aceitação do público, custo, textura e versatilidade que mantêm certos doces relevantes por décadas
Comemorado em 27 de janeiro, o Dia Mundial do Bolo de Chocolate vai além da celebração do sabor e abre espaço para discutir por que alguns doces atravessam gerações sem perder espaço nos cardápios. Em um cenário de consumo cada vez mais influenciado por tendências e lançamentos constantes, produtos clássicos seguem entre os mais vendidos e desejados. Na PikurruchA’S, maior confeitaria da América Latina, essa análise faz parte da rotina. O bolo de chocolate permanece como uma escolha recorrente, independentemente de estação, faixa etária ou ocasião. O desempenho consistente do produto reforça que a relevância em um cardápio é resultado de estratégia, e não apenas de memória afetiva.
Dados recentes ajudam a explicar esse comportamento. Levantamento da Kantar, de 2025, aponta que 71% dos consumidores brasileiros afirmam preferir sabores tradicionais ao escolher sobremesas fora de casa, enquanto 63% associam o chocolate a conforto e recompensa emocional. Já uma pesquisa da Mintel indica que o chocolate segue como o sabor mais presente em lançamentos de confeitaria no Brasil, devido à sua alta taxa de aceitação e ao baixo índice de rejeição entre diferentes perfis de público.
Na prática, a permanência de um produto no menu envolve critérios técnicos e comerciais. Textura equilibrada, perfil de sabor amplo, facilidade de harmonização, custo de produção viável e previsibilidade de venda são fatores determinantes. O bolo de chocolate atende a todos esses pontos, além de permitir variações e releituras sem perder sua identidade. Para marcas de grande fluxo, como a PikurruchA’S, isso se traduz em giro constante, redução de desperdício e uma oferta capaz de dialogar com diferentes momentos de consumo, do café da manhã à sobremesa da noite.
Para Ana Piku, sócia-fundadora e confeiteira da PikurruchA’S, a decisão de manter clássicos no cardápio é racional e estratégica. “Um produto não fica anos em linha apenas porque é querido. Ele precisa vender bem, ter custo controlado, agradar a diferentes públicos e funcionar em várias ocasiões. O bolo de chocolate é um exemplo perfeito disso. Ele é democrático, tem alta aceitação e conversa tanto com memórias afetivas, quanto com a lógica de negócio”, afirma.
A empresária destaca ainda que, em um mercado cada vez mais volátil, a estabilidade de determinados itens é essencial para a saúde do cardápio. “As novidades são importantes para gerar interesse e atualizar a marca, mas são os clássicos que sustentam a operação. Eles criam previsibilidade de venda e constroem confiança com o consumidor. Quando alguém entra na Piku, sabe que vai encontrar aquele bolo de chocolate que já conhece e confia. Isso fortalece relações de longo prazo”, completa.
Esse cenário também dialoga com um movimento mais amplo do consumo contemporâneo. Pesquisa da Euromonitor, de 2024, indica que, em períodos de instabilidade econômica, consumidores tendem a optar por escolhas seguras e familiares, reduzindo riscos e experimentações. Nesse contexto, doces tradicionais ganham ainda mais relevância, não só pelo sabor, mas pela sensação de segurança e conforto que proporcionam.
Na PikurruchA’S, o bolo de chocolate segue entre os campeões de venda e simboliza essa combinação entre estratégia, técnica e conexão com o público. “Manter um clássico no cardápio é uma decisão de consistência. Ele atravessa gerações porque entrega sabor, conforto e confiança. É esse equilíbrio que sustenta um cardápio ao longo do tempo. Ele é tão clássico que também oferecemos uma versão zero açúcar, para que todos possam aproveitar essa sobremesa sem abrir mão do prazer”, finaliza Ana.
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