terça-feira, agosto 18

Febre dos cosméticos coreanos nas redes sociais requer atenção na hora de selecionar produtos para a pele

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K-beauty ganha espaço entre quem busca hidratação e rejuvenescimento, mas dermatologista alerta para riscos de irritação e excesso de produtos

O termo K-beauty, utilizado para definir a indústria da beleza e as rotinas de cuidados com a pele inspiradas na Coreia do Sul, ganhou visibilidade nas redes sociais e transformou séruns, máscaras faciais, essências e hidratantes em fenômenos de consumo. Com fórmulas voltadas para hidratação, fortalecimento da barreira cutânea e prevenção do fotoenvelhecimento, esses produtos conquistaram quem busca uma pele mais uniforme, viçosa e com aparência rejuvenescida.

Ingredientes como ácido hialurônico, niacinamida, mucina de caracol e extratos vegetais aparecem com frequência nessas formulações. Segundo a dermatologista Dra. Tainah de Almeida, os cosméticos coreanos podem ser bons aliados, desde que escolhidos de acordo com as características e necessidades de cada pele.

“Existem muitas fórmulas coreanas interessantes, especialmente para hidratação e fortalecimento da barreira da pele. Ingredientes como centella asiática, mucina e niacinamida podem ser ótimos aliados. O ponto de atenção é entender que um produto que funciona muito bem para uma pessoa não necessariamente será a melhor escolha para outra”, explica.

Com a popularização da K-beauty, produtos que viralizam nas redes sociais muitas vezes são apresentados como capazes de transformar a pele em pouco tempo. A especialista alerta, porém, que a escolha não deve ser baseada apenas no hype. Fragrâncias, conservantes e determinados extratos podem provocar irritações ou reações alérgicas, especialmente em peles sensíveis.

“Nem todos os produtos viralizados são adequados para todos os tipos de pele. Pessoas com maior sensibilidade podem, inclusive, piorar o quadro ao utilizar substâncias desconhecidas, que não são indicadas para elas ou ácidos, como o retinol”, alerta.

Outro ponto de atenção é a quantidade de produtos utilizados. Inspiradas nas rotinas coreanas, algumas pessoas adotam sequências com várias etapas acreditando que, quanto maior o número de cosméticos, melhores serão os resultados. O excesso, no entanto, pode comprometer a barreira cutânea e agravar problemas preexistentes.

“Um dos erros que mais observo é a sobrecarga de ativos. Já recebi pacientes no consultório com a pele irritada justamente por misturarem muitos produtos sem orientação”, conta.

Também é preciso considerar que fatores como clima, exposição solar, oleosidade, fototipo e sensibilidade interferem na resposta da pele. Por isso, reproduzir integralmente uma rotina que se tornou tendência em outro país pode não fazer sentido para todos os brasileiros.

“É interessante entender o conceito da K-beauty, principalmente a valorização do cuidado diário, mas não precisamos reproduzir uma rotina com muitas etapas para ter uma pele saudável. O mais importante é identificar as necessidades daquela pele e escolher produtos adequados. Nesse processo, o acompanhamento de um dermatologista faz toda a diferença”, orienta.

A procedência dos cosméticos também merece atenção. Produtos comercializados no Brasil devem seguir as normas sanitárias nacionais, e a Anvisa disponibiliza uma ferramenta para consultar sua situação. Já aqueles trazidos do exterior para uso próprio seguem regras específicas e, mesmo quando dispensados de autorização para importação por pessoa física, permanecem sujeitos à fiscalização sanitária.

Na hora da compra, a recomendação é verificar fabricantes, ingredientes, validade e procedência, além de desconfiar de canais pouco confiáveis, preços muito abaixo do habitual e promessas de resultados milagrosos.

“Antes de realizar a compra, recomendo olhar além da embalagem. É importante entender o que há naquela fórmula, qual é a procedência do produto e, principalmente, se aqueles ativos fazem sentido para a sua pele”, destaca a dermatologista.

Para quem deseja aderir à K-beauty, a recomendação é começar com uma rotina simples e personalizada, em vez de reproduzir todas as etapas vistas nas redes sociais. A orientação está alinhada à abordagem da Dra. Tainah, que defende um rejuvenescimento planejado e individualizado, com resultados naturais.

“A beleza pode ser sutil e elegante, valorizando a história de cada paciente e realçando o que cada um tem de belo, sem mudar sua essência”, conclui.

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Gaúcho de nascimento, brasiliense de coração. Economista, 26 anos, amante de viagens e gastronomia. Instagram: @davirezende__

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