Dois modelos foram desenvolvidos em colaboração com o designer da marca, Guilherme Kfouri, incorporando referências ao ritual do casamento e detalhes personalizados, como a sola azul com o nome dos noivos
Em casamentos históricos, nada é acessório. Nem mesmo o que toca o chão. Para acompanhar o vestido de noiva inédito usado pela influenciadora e empreendedora Esther Marques, a única e última brasileira a vestir uma criação nupcial assinada por Pieter Mulier para a Maison Alaïa, a noiva optou por um gesto igualmente raro. Foram desenvolvidos dois pares de sapatos exclusivamente para ela pela marca Alexandre Birman, pensados como extensão simbólica e narrativa do vestido
A criação ficou a cargo de Guilherme Kfouri, designer da marca há anos e responsável por traduzir, em forma e técnica, a ideia de um sapato que precisaria sustentar o corpo da noiva, mas também o peso histórico do momento. Foram concebidos dois modelos, um prateado, com salto de 16 centímetros, pensado para a cerimônia, e outro branco, com 14 centímetros, idealizado para a festa. Ambos foram desenhados para acompanhar o mesmo vestido em diferentes momentos do dia.
Fundada em 2008, a Alexandre Birman construiu sua reputação a partir de uma combinação pouco comum na indústria brasileira, que reúne precisão técnica, vocabulário internacional e um entendimento profundo do corpo feminino em movimento. Entre os códigos da marca está um detalhe quase ritualístico. Todos os sapatos de noiva de Alexandre Birman carregam um “algo azul”, tradicionalmente aplicado em uma delicada tira do design. No caso de Esther, esse código foi reinterpretado. Em vez da tira, a noiva escolheu levar o azul para onde quase ninguém vê, mas onde tudo começa. A sola do sapato foi inteiramente azul e personalizada com o nome dos noivos.
Outro ponto central do design foi a escolha da tira frontal ajustável, sem fivela, que permite amarração precisa ao pé. A decisão foi técnica e funcional, pensada para garantir firmeza, estabilidade e segurança ao longo de horas de cerimônia e celebração. Segundo Guilherme Kfouri, “O processo foi muito sensível, porque não se tratava apenas de um sapato, mas de uma peça que faria parte da memória de um dia único na vida de Esther… O processo foi muito bonito e sensível. Cada detalhe foi pensado para esse momento tão especial. Quis que o sapato tivesse a mesma elegância e emoção do
momento que ela estava vivendo: especial, único e também muito verdadeiro. Foi uma delícia dividir esse processo com a Esther. Essa troca é o que realmente alimenta a criação e dá sentido a cada detalhe.”
O vestido de Esther já nasce como documento de moda. Trata-se do último olhar nupcial de Pieter Mulier para a Alaïa, da primeira vez em que a maison autorizou o registro midiático de uma criação desse tipo e de um marco para a presença brasileira na história da casa. Ao final, o vestido e os sapatos formaram um conjunto coerente não apenas pela aparência, mas pela intenção. Ambos criados à mão, ambos frutos de processos longos e cuidadosos, pensados para marcar um dos momentos mais especiais da vida da influenciadora.